Lição de casa para os pais

Seleções ouviu 672 professores de todo o Brasil em uma pesquisa online em janeiro de 2009. Confira o que os professores e mestres do seu filho gostariam de dizer a você.
 

71% dos professores gostariam de dizer: “Ajudar seu filho com a lição de casa não significa deixá-lo copiar tudo da Internet.”

“Já vi aluno que não só imprimiu páginas com cabeçalho e rodapé do site, como também distribuiu cópias do mesmo material para os amigos”, conta o professor de Física José Carlos Antonio, que leciona há 26 anos e hoje dá aulas na rede pública de ensino em Santa Bárbara do Oeste, Campinas. “A maioria dos pais não tem o menor controle sobre o que os filhos fazem na escola”, alerta José Carlos. Mas o trabalho facilitado requerido pela cópia pode embotar o raciocínio. “Para que um conceito seja assimilado é preciso estabelecer e confrontar relações, senão não há aprendizado”, explica o professor Antônio Zuin, do Departamento de Educação da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e autor do livro Adoro odiar meu professor.

Como ajudar seu filho a fazer lição de casa: monitore o uso que seus filhos fazem da Internet. “Depois de pesquisar na rede, o mais importante é que o estudante possa tirar as próprias conclusões sobre o que leu. Tomar como seu um texto de outra pessoa, sem citar o nome do autor, é crime de plágio”, alerta Zuin.

51% dos professores gostariam de dizer: “Quando eu era criança, se eu fosse mal nos estudos, meus pais culpavam a mim – não aos professores. O seu filho também é responsável por suas notas nas provas e desempenho em sala de aula.”

“Antigamente a escola era encarada como uma instituição onde se ingressava para aprender, respeitando-se as regras e o modo de trabalho. Reclamar não era prerrogativa do aluno para resolver suas dificuldades”, lembra o professor José Carlos. “Hoje o aluno acha que a escola tem de se adequar a ele. E os pais já chegam ao colégio defendendo os filhos, sem antes refletir sobre o comportamento deles.” José Carlos completa: “O aluno entra na escola sem objetivos e espera do colégio apenas um meio de travar relações sociais. A escola funciona como um ‘orkut presencial’.”

Como despertar responsabilidade com a escola em seu filho: ajude seu filho a levar o estudo a sério. Verifique se os deveres de casa foram feitos conforme o que foi pedido. Acompanhe a agenda escolar e ajude-o a ter autodisciplina, estabelecendo horários de estudo.

50% dos professores gostariam de dizer: “Não acredito que você converse com seu filho. Apenas 15 minutos por dia de conversa fariam toda a diferença.”

“Às vezes um bom aluno fica desatento, e suas notas caem. Basta uma conversa para que ele revele, por exemplo, sua aflição com o fim de um namoro”, conta a pedagoga Cássia Ravena Mulin de Assis Medel. “Isso sinaliza a falta de diálogo em casa”, diz Medel, que lecionou Inglês e Espanhol por 18 dos 25 anos no magistério.

Como conversar com seu filho: as longas jornadas de trabalho dos pais não justificam o desconhecimento da rotina dos filhos. “Demonstrem interesse pela vida deles, pelo que fazem dentro e fora da escola”, aconselha a professora.

43% dos professores gostariam de dizer: “Você faz trabalhos de casa maravilhosos, mas é ao seu filho que eu estou tentando ensinar a matéria.”

Na ânsia de ajudar, ou vencidos pelo cansaço, muitos pais acabam prejudicando os filhos ao resolverem os exercícios por eles. “Leva-se mais tempo para orientar uma criança do que para fazer a tarefa no lugar dela. Sem perceber, os pais vão criando uma preocupante relação de dependência. Mais adiante, quando se virem sozinhas, elas não conseguirão dar conta das questões”, atesta Medel. “O objetivo do dever de casa é reforçar a aprendizagem, e não fazer com que o aluno entenda em casa o que não compreendeu durante a aula. As dúvidas devem ser levadas para a escola no dia seguinte”, esclarece a orientadora.

Como ajudar seu filho com trabalhos escolares em casa: estabeleça horários para seu filho estudar. Dê liberdade para ele realizar sozinho o dever de casa, mas esteja disponível caso ele sinta dificuldade.

33% dos professores gostariam de dizer: “Crianças precisam se distrair depois do colégio. Tudo bem se ele quiser assistir um pouco à TV ou jogar videogame.”

“Não tem como uma criança passar o dia todo estudando. A brincadeira a deixa motivada e favorece resultados positivos na escola”, afirma Medel. Mas fique atento se a diversão do seu filho limitar-se a televisão, videogames ou computador. “São atividades que só devem ser permitidas em doses homeopáticas”, defende o professor Antônio Zuin.

Como estabelecer a hora de brincar: a hora da brincadeira é sagrada, mas é melhor que a hora de brincar seja depois de cumpridos os deveres de casa.

32% dos professores gostariam de dizer: “Você não está sendo realista quanto às verdadeiras habilidades de seu filho.”

“É natural que os pais tenham expectativas exageradas e avaliações generosas em relação aos filhos, mas isso gera conflitos quando são apontados defeitos e dificuldades reais dos alunos”, relata o professor José Carlos. Também há pais que projetam carreiras para os filhos como a de advogado ou de engenheiro e lotam a agenda deles com atividades extracurriculares. “O melhor é procurar observar as aptidões da criança e optar por uma escola que desenvolva suas potencialidades”, aconselha a professora Maria Ângela Barbato Carneiro, da Faculdade de Educação da PUC de São Paulo.

Como identificar os talentos do seu filho: encoraje seu filho e comemore as boas conquistas dele. Ajude-o com estratégias para aumentar a autoconfiança. Mas não queira transferir para ele suas expectativas e frustrações profissionais. Seja realista.

30% dos professores gostariam de dizer: “Por que eu deveria abrir mão do meu tempo livre para uma reunião de pais quando você mesmo não tem interesse em participar?”

Nas reuniões de pais e professores fica visível a falta de participação dos responsáveis na vida escolar dos filhos. “Nos corredores é comum ouvirmos que nas reuniões comparecem apenas os pais dos alunos que não têm problemas. Talvez estejamos diante de uma geração de abandonados”, arrisca o professor José Carlos.

Como se comportar na reunião escolar: encare a reunião como uma oportunidade de ouvir quem mais convive com seu filho além de você: professores e coordenadores da escola.

16% dos professores gostariam de dizer: “Seu filho é tão bagunceiro! Você não deveria esperar que eu conseguisse educá-lo.”

“A falta de limites em casa se reflete na sala de aula. E, se os pais discordam da punição e teimam em defender os filhos, estes percebem e não respeitam mais o professor”, diz a psicopedagoga Marisa Rosa Paula Knob. Há alguns anos a professora Maria Ângela conta que repreendeu um aluno durante a aula e ouviu dele: “Meu pai paga a escola e você é minha funcionária.”

Como lidar com a indisciplina do seu filho: confie na escola e valorize o trabalho do professor. “Hoje conhecemos mais os alunos que seus próprios pais. Sem parceria não vamos a lugar algum”, acredita Marisa Knob.

15% dos professores gostariam de dizer: “Por favor, certifique-se de que seu filho toma banho antes de ir à escola.”

“Não temos como fazer de conta que problemas como este não existem. Embora em número reduzido, dois ou três alunos numa turma de 30, é uma questão delicada, que precisa ser abordada”, revela a orientadora Cássia Medel. “O ideal é, em vez de chamar a atenção do aluno individualmente, abordar o tema da higiene de forma geral, durante a reunião de pais”, aconselha ela.

Como garantir a higiene do seu filho: converse com seus filhos sobre a importância da higiene, na saúde e para o convívio social, e fique sempre atento aos hábitos dele, como tomar banho, escovar os dentes e vestir roupas limpas todos os dias.

Outras observações importantes que alguns professores gostariam de fazer:

  1. Trate seu filho como gente, não como uma máquina que precisa ser alimentada com presentes.
  2. O professor é fundamental na formação intelectual, mas são os pais que têm o dever de educar.
  3. Participe mais e faça seu filho ser mais responsável. Isso também é uma demonstração de amor.
  4. A ausência dos pais na educação dos filhos não deve ser compensada com aparelhos eletrônicos, como televisão.
  5. Não podemos cobrar aquilo de que não damos exemplo na nossa conduta diária. Seja o melhor espelho do seu filho

 

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