Lugar de lixo é no lixo

Várias cidades, incluindo Rio de Janeiro, Porto Alegre e Caxias do Sul, estão investindo num programa chamado Lixo Zero.
 
Em setembro, ouvi uma notícia que muito me agradou: em algumas capitais brasileiras, o lema “Sujou, recolha” virou “Sujou, agora pague”! Várias cidades, incluindo Rio de Janeiro, Porto Alegre e Caxias do Sul, estão investindo num programa chamado Lixo Zero. Essa campanha prevê que as pessoas flagradas jogando lixo nas vias públicas sejam multadas. Isso mesmo!
 
Jogar lixo no chão era um hábito bastante comum em décadas passadas, mas, com o tempo e com a conscientização cada vez maior das atitudes cívicas em prol do meio ambiente, tornou-se um gesto quase obsceno: fico espantada quando vejo alguém displicentemente atirando no chão, ou jogando pela janela 
do carro, o que chamo de lixo “discreto”: a bituca do cigarro, o papelzinho da bala...
 
As prefeituras podem usar a multa como instrumento inibidor e como recurso para intensificar as ações visando à correta destinação dos resíduos produzidos em seus territórios. Pode ser multado todo cidadão que for flagrado descartando qualquer tipo de lixo fora dos equipamentos coletores localizados nos logradouros públicos.
 
A ideia tem se espalhado pelo Brasil e leis municipais podem permitir a aplicação de multa para cada infração. A quantia estabelecida varia, pois é estipulada a partir do “valor de referência municipal”. Para se ter uma ideia, jogar a bituca de cigarro (campeã do lixo “discreto”) no chão (e não nas lixeiras) pode custar ao infrator até 160 reais!
 
Além das dezenas de toneladas diárias de lixo produzidas pelas cidades (e nem sempre levadas para o aterro sanitário), o órgão municipal de limpeza urbana precisa destinar grande parte de seus colaboradores para as atividades de varrição – e não para o esvaziamento das lixeiras. Isso porque muito do lixo é descartado diretamente nas ruas – no chão – e sem nenhum constrangimento por parte das pessoas.
 
O projeto Lixo Zero pensou sobretudo no descarte de embalagens e demais resíduos nas ruas e calçadas. Esses materiais, fora das lixeiras, estão relacionados aos transtornos pelos quais passamos, por exemplo, em dias de fortes chuvas seguidas de alagamento: tubulações entupidas (de lixo) fazem com que a água escoe por ruas e calçadas. Muito afetada fica também a paisagem, uma vez que “tudo vem à tona” – com o transbordamento dos canos, todo o lixo nele contido passa a boiar, resultando num panorama extremamente desagradável! Sem falar na contaminação do solo e nas consequências à saúde.
 
Como em diversas cidades do mundo, o Lixo Zero também poderá ser implantado na sua, mas vale ressaltar que em outros países as multas são bem mais altas. O valor pode ser ainda maior no caso de outras infrações, como descartar vidro no contêiner destinado aos plásticos, ou se o cidadão for pego “vasculhando” o lixo já depositado (em algumas cidades italianas as multas equivalem a quase 500 reais). Como a nós só está sendo pedido que coloquemos “o lixo no lixo”, parece razoável que, em casos de descumprimento, haja a penalidade.
 
As equipes que vão atuar na fiscalização (agentes e guardas municipais), além de dar orientações sobre a necessidade de manter limpos os locais públicos, poderão portar uma mini-impressora que permitirá identificar o infrator pelo CPF e emitir a multa na hora. Caso não haja o pagamento, o autuado poderá ter seu nome enviado aos serviços de restrição ao crédito.
 

Fique atento!
 
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