Sujou? Recolha!

A coleta dos dejetos dos animaizinhos é tarefa pouco agradável, mas fundamental.
 

Caro leitor, aposto que você, assim como eu, adora ir ao parque. Dia ensolarado, amigos reunidos, toalha para estender no gramado verdinho... E vamos todos, incluindo nossos amigos de quatro patas. E aí está um assunto que pede reflexão: a coleta dos dejetos desses animaizinhos – tarefa pouco agradável, mas fundamental.

 

Coincidência ou não, este assunto surgiu em várias conversas recentes. Além de ser polêmico, pede um encaminhamento prático e a sensibilização dos donos dos bichinhos de estimação.

 

Pois foi com o propósito de averiguar como andam os gramados que fui, domingo passado, a um dos maiores parques da minha cidade. Resultado: tive de escolher cuidadosamente onde estender a toalha...

 

Não fosse esta uma questão polêmica, grandes cidades, tanto na <br />Europa quanto nos Estados Unidos, não estariam se mobilizando para encontrar algum tipo de solução.

 

Assim, a partir daquele domingo e de uma conversa que tive com um colega, passei a pesquisar como andam as coisas mundo afora.

 

Fiquei pasma ao saber que em determinadas cidades, além de regras como o uso de áreas reservadas para cães e a obrigatoriedade de porte de pá e saco para a coleta, existe ampla legislação sobre o assunto.

 

Municípios italianos, por exemplo, se armaram com regulamentos de todo tipo (regulamento verde; de higiene, sanidade pública e veterinária) e decretos dirigidos aos donos de cães e às pessoas encarregadas de sua custódia, para impedir que dejetos ou líquidos orgânicos se depositem em vias urbanas, calçadas, e outros espaços públicos.

 

Um dos regulamentos estabelece que “proprietários ou condutores devem estar munidos de pinças, pás e sacos para a eventual coleta dos dejetos caninos”; e “que os transgressores serão passíveis de multa de 25 euros no caso de não removerem os dejetos” e que “a mesma quantia deverá ser paga pelo dono que não estiver munido dos objetos destinados à coleta”.

 

Em grande parte das cidades européias, o que existe à disposição, em parques e praças, são pontos de distribuição de sacos (amarelos com letras pretas) próprios para este fim.

 

Nos Estados Unidos, a cidade de São Francisco encontrou uma forma sustentável de lidar com o problema: a produção de energia verde.

 

Trata-se de um projeto para utilizar escrementos de cães (lá, tais dejetos representam 4% dos resíduos residenciais, o equivalente a 6.500 toneladas ao ano) na produção de energia. Segundo notícias divulgadas, os excrementos dos cães, equivalentes em quantidade às fraldas utilizadas em bebês, eram jogados fora sem a preocupação da quantidade de energia que poderiam gerar. A partir deste ano, empresas privadas de coleta dos resíduos urbanos estão tentando recuperar os dejetos caninos em um parque tradicionalmente destinado às funções fisiológicas destes animais.

 

Não se sabe, até o momento, o quanto de energia será produzido e nem o quanto de petróleo pode ser economizado, mas, certamente, os donos dos cães precisarão participar. Eles receberão contêineres especiais para pôr os resíduos a serem reciclados.

 

Você pode estar se perguntando: “Com tantos problemas mais importantes a resolver, como a questão da coleta e da reciclagem dos resíduos orgânicos produzidos pelo homem, este é um assunto prioritário?”

 

Não podemos “abrir uma gaveta de cada vez”, sob pena de questões aparentemente banais como esta nunca serem enfrentadas. Diariamente, centenas de cães saem para passear e fazer suas necessidades, e o homem é quem deve, num gesto de respeito e cidadania, agir.

 

Não sei quantos cães existem na minha cidade, você faz idéia de quantos existem na sua? Mas não ouso calcular as toneladas de excremento que poderiam estar sendo encaminhadas para tratamento. E, se você não recolher os dejetos, seu cão não os recolherá. Pense nisso!

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