Natal das Celebridades

No espírito de fim de ano, nada melhor do que compartilhar histórias de Natal marcantes, divertidas, comoventes e deliciosas.
 

Uma Noite Diferente - Ana Maria Braga - Apresentadora de TV

“Em 2000 decidi passar o Natal com minha família e amigos mais próximos, no orfanato do Padre Antônio Maria, que acolhe crianças abandonadas e carentes em São Paulo. Sempre realizamos a ceia em casa, mas naquele ano queria viver um Natal diferente. Os preparativos começaram em novembro. Na véspera do dia 24 não agüentávamos de tanta ansiedade. Chegamos ao orfanato às 21h: eu, minha mãe Lurdes – já falecida –, meu filhos Maria e Pedro José, na época com 15 e 17 anos, e alguns amigos. Eram ao todo 80 crianças de diversas faixas etárias, desde bebês até meninos e meninas adolescentes. O padre Antônio Maria celebrou uma missa e depois rezamos em volta do presépio. Preparamos uma ceia com o que as crianças mais gostavam de comer. Um amigo nosso se fantasiou de Papai Noel e foi contagiante a alegria das crianças quando o viram chegando. Distribuídos os presentes, brincamos e comemoramos o Natal, todos juntos. Foi uma noite mágica. Mas o principal foi perceber o olhar dos meus filhos: eles estavam encantados, vivenciando um outro lado da vida, a realidade das crianças sem possibilidades. Descobriram naquele Natal o poder da doação e o presente da solidariedade. Ficamos diferentes depois daquele dia. Uma experiência realmente difícil de esquecer.Ana Maria Braga

Boneca do Céu - Claudia Rodrigues - Atriz

“Eu tinha 10 anos e, na época, sonhava em ganhar uma boneca, daquelas maneiríssimas, que mamava e fazia xixi. Passei o ano inteiro esperando aquele presente. Finalmente chegou o dia 24 de dezembro. A reunião de Natal aconteceu lá em casa. Além dos meus pais e do meu irmão, também estavam presentes meus avós paternos, um tio e uma tia. Jantamos em família e depois fui logo pegar os presentes debaixo da árvore. Que decepção... Abri vários embrulhos e a boneca que eu tanto queria não veio. De repente, vejo um pacote surgindo pelo lado de fora da janela da sala. Que surpresa! O presente com que sonhava dia e noite, caindo do céu, ali, na minha frente. Foi emocionante demais. Já não acreditava em Papai Noel e logo percebi que aquilo só podia ser obra do meu pai. Morávamos numa casa de dois andares e, muito engenhosamente, ele amarrou a caixa com a boneca e a desceu por uma corda, do quarto no andar de cima, até a janela da sala. Ainda hoje me pego lembrando daquele momento mágico.” Claudia Rodrigues

Natal Sem Brinquedo - Gilberto Braga - Dramaturgo

“Passei boa parte da infância na Tijuca, Zona Norte do Rio. Morávamos numa casa bastante espaçosa, com direito a quintal, mangueira e galinheiro, coisas que, a cada dia que passa, são mais raras. Somos três irmãos. Eu sou o mais velho. Quando tinha uns 8 anos descobri que Papai Noel não existia, mas guardava isso em segredo, só para não decepcionar Rosa Maria e Ronaldo. Continuei escrevendo com eles cartas para Papai Noel, com pedidos de presentes. O Natal da família acontecia lá em casa e seguia sempre o mesmo ritual: depois da noite de 24 de dezembro, com a casa cheia de parentes e amigos, íamos dormir na expectativa da visita do bom velhinho. No dia seguinte, quando acordávamos, os quartos estavam cheios de presentes pelo chão. Tudo aquilo era muito gostoso. Mas o Natal que mais me marcou foi justamente um em que, ao acordarmos, não havia quase presente algum. Nossos pais fizeram um teatro: ‘Vai ver Papai Noel teve um problema’, disseram eles. Até que soltaram um animador ‘quem sabe ele não teve dificuldade de chegar até os quartos?’. Eu e meus irmãos corremos para a janela e avistamos no quintal aqueles brinquedos que só existiam em pracinha: escorrega, rema-rema, balanço... Foi uma festa maravilhosa. Uma surpresa deliciosa.” Gilberto Braga

Travessura Natalina - Carlinhos de Jesus - Dançarino

“Lembro de Natais muito animados, principalmente depois da meia-noite, quando os vizinhos se visitavam mutuamente para brindar a data. Lá em casa era uma verdadeira festa. Morávamos em Cavalcante, Zona Norte do Rio, numa casa com quintal bem espaçoso, e muita gente passava por lá para desejar ‘Feliz Natal’. As pessoas bebiam e comiam a valer, e depois se esbaldavam dançando ao som de uma vitrola Telefunken. Os preparativos começavam cedo. Eu tinha uns 8 anos de idade quando, malandramente, tive a idéia de pregar uma peça nos vizinhos e me divertir com os tombos: coloquei água com sabão em pó no balde, respinguei pelo chão de cimento e deixei secar. O chão ficou cheio de pintinhas brancas, mas eu o varri cuidadosamente com uma vassoura de pêlo para que ninguém percebesse nada. Mas o feitiço virou contra o feiticeiro. Eu, muito elétrico, para lá e para cá na véspera de Natal, acabei caindo de mau jeito sobre o braço esquerdo. Fui levado às pressas para o hospital. Fraturei o rádio e o cúbito. Quando voltei para casa, tive de amargar a alegria de todos dançando e se divertindo, e eu lá, com o braço engessado. Foi inesquecível...” Carlinhos de Jesus

Lembrança Mágica - Olivier Anquier - Chef

“No início da década de 1960, meu pai, recém-formado em Medicina, foi trabalhar na Argélia, que estava em guerra pela independência. Eu tinha uns 7 anos e fiquei com minha mãe em Paris. Lembro quando meu pai voltou algumas semanas antes do Natal de 1961, trazendo uma novidade para a noite do dia 24: uma caixa de caquis. Era uma fruta desconhecida na França, e minha vontade, claro, era comê-la naquele exato instante. Mas meu pai explicou que os caquis ainda estavam verdes e tratou logo de levar a caixinha para o porão, no subsolo da casa. Apesar do inverno rigoroso, o lugar se mantinha aquecido, e a temperatura mais alta favorecia o amadurecimento das frutas. Muito curioso, passei a acompanhar meu pai nas visitas diárias ao porão. Era excitante
testemunhar a mudança de cor, o aroma, a textura daquela fruta misteriosa. Na noite de Natal, como é tradição na França, tínhamos à mesa uma dúzia de ostras, uma fatia de patê de fois gras, e um pouco de salmão defumado. Ao fim da ceia, após semanas de expectativa, meu pai finalmente desceu ao porão e trouxe de lá os caquis. O laranja pálido havia se transformado em vermelho inten­so. Ao dar a primeira mordida, que delícia! Lembro da sensação maravilhosa de descobrir o sabor diferente de uma fruta que tanto zelo demandara. Uma experiência gastronômica que marcou minha vida.” Olivier Anquier

O Melhor Presente - Stella Miranda - Atriz

“Em dezembro de 1984, eu morava na Espanha, numa fazenda incrustada nas montanhas, a dois quilômetros de Canillas del Al’bayda, uma aldeia minúscula na Andaluzia, com pouco mais de 800 habitantes. Estava grávida de sete meses, e ainda não sabia o sexo do bebê. Eu e meu marido, já falecido, tínhamos viajado para lá em outubro. A idéia era fazer um curso de artes voltado para estrangeiros, com duração de um mês, mas nos apaixonamos pelo lugar e prolongamos nossa estada. Na noite de Natal, fizemos uma romântica ceia vegetariana com o casal de professores, os demais estudantes e empregados da fazenda. Depois, decidimos assistir à Missa do Galo no vilarejo. Lá fomos nós a pé, eu com meu barrigão, percorrendo dois quilômetros de trilhas pelas montanhas para chegar à aldeia. A noite estava mágica, estreladíssima, e fazia um frio intenso. Agüentei firme e o esforço valeu. Ao nos aproximarmos do vilarejo, deparamos com um espetáculo encantador: as casinhas estavam de portas abertas e os moradores da aldeia se dirigiam todos, ao mesmo tempo, para a igreja, segurando velas ou candeeiros. Várias pessoas, ao me verem grávida, me perguntavam emocionadas qual seria o nome da criança. Muitas mencionavam que 24 de dezembro era Dia de São Nicolau, que representava o Papai Noel. Na mesma hora decidi o nome do bebê. Minha filha se chama Nicola, em homenagem àquele Natal que me marcou profundamente.” Stella Miranda

O que mais importa - Diogo Vilela - Ator

“Lembro como se fosse hoje de um Natal que passei na casa da minha tia, no bairro da Usina, no Rio de Janeiro. Eu tinha pouco mais de 7 anos e recordo perfeitamente da emoção que senti ao chegar lá. A casa estava irreconhecível. Fiquei encantado com a exuberância da decoração natalina. Enfeites vermelhos, verdes e dourados espalhados por todos os cantos e uma mesa repleta de comidas diferentes. Mas o que mais me espantou foi a imensa árvore de Natal, minuciosamente ornamentada com bibelôs de porcelana e que, de tão alta, batia no teto. Estávamos em plena década de 1960 e a época de Natal era aguardada com muita ansiedade. Levávamos a data a sério, pois a ocasião significava reunir tios, primos, avós, e madrinhas. Não havia interesse pelas coisas materiais; que tipo de presente iríamos ou não ganhar. A expectativa era mais por estar ali, todo mundo junto, pois muitos parentes moravam em outros Estados. Só de crianças éramos 15, e tínhamos a impressão de estar imersos num universo à parte. As músicas natalinas, tipo Noite feliz, de Bing Crosby, tocavam sem parar. Naquela noite, depois de cearmos, ouvimos a Missa do Galo no rádio. Só então ganhamos presentes, mas não pudemos abri-los: era a hora de dormir. Lá fomos nós com os embrulhos para a cama, morrendo de curiosidade até a manhã seguinte. O presente? Lembro que ganhei da minha madrinha uma superlocomotiva com trilhos, sem similar no Brasil naquela época.Diogo Vilela

Tradição Emocionante - Mônica Waldvogel - Jornalista

“Meu Natal mais marcante aconteceu quando eu tinha 4 anos. Meus pais eram católicos praticantes e costumavam fazer um presépio comple­to, muito parecido com o que víamos em igrejas, com grama, gruta, bichos e personagens bíblicos. Na noite de 24 de dezembro participei de uma procissão só de crianças, com meus dois irmãos mais novos e vários primos, cada um conduzindo uma imagem do presépio. Recordo daquele momento solene e da emoção que senti ao levar a imagem do Menino Jesus. Também tenho sorte de poder assistir à filmagem que meu pai fez com tanto capricho naquela noite, o que acaba refrescando a minha memória. Com uma simples câmera 8 mm, ele captou cenas expressivas da procissão mirim que percorria a sala, sob os olhares comovidos dos adultos. Desde então, inaugurou-se uma tradição nos Natais lá em casa: antes de os presentes serem distribuídos, minha mãe organiza com as crianças algo que lembre o significado da data. Pode ser um jogral, um auto de Natal, uma oração. Agora é a nova geração, nossos filhos e sobrinhos, que participam dessas atividades. A nós, adultos, cabe a missão de encerrar a festa cantando Noite feliz.” Mônica Waldvogel

Vote it up
746
Gostou deste artigo?OBRIGADO
 

 

 

Na Nossa Loja