O homem que vende de tudo

A partir de uma pequena livraria virtual, Jeff Bezos transformou a Amazon num gigante do varejo
 

Depois de se formar em engenharia elétrica e ciência da computação na Universidade de Princeton, em 1986, Jeff Bezos foi trabalhar em Wall Street. Em 1994, largou o setor financeiro para ser empresário. A Amazon.com começou como livraria virtual e vendeu os primeiros exemplares em julho de 1995. Desde então transformou-se num gigante do varejo, além de produtora de equipamentos eletrônicos, como o Kindle, e grande provedora de serviços de computação em nuvem. A seguir, trechos selecionados de uma conversa com Bezos.

Quando percebeu que a Amazon se transformaria na gigante que é hoje?

Desde o princípio havia sinais de que estávamos acertando. O plano de negócios original só falava em livros e numa empresa relativamente pequena. Mas, pouco depois da inauguração, já tínhamos vendido livros em todos os 50 estados americanos e em 45 países.

Dois anos depois, mandamos um e-mail a cerca de mil clientes perguntando: “Além do que vendemos hoje, o que você gostaria que oferecêssemos?” As respostas foram muito variadas; as pessoas diziam “limpadores de para-brisa para o carro” e coisas assim. Naquele momento, começamos a perceber que talvez conseguíssemos vender uma grande seleção de produtos usando os métodos dos quais tínhamos sido pioneiros.

Quais as qualidades fundamentais do empresário de sucesso?

Uma delas é aquele ponto de vista do chamado descontentamento divino: o que podemos melhorar? Invenção e empreendedorismo estão interligados. Os inventores pensam: “Já me habituei a isso, mas hábito não é motivo para não aprimorar.”

Os empresários também se beneficiam muito quando se dispõem a fracassar, a experimentar. Bons empreendedores tendem a ser teimosos na visão mas flexíveis nos detalhes. Outra qualidade é a paixão pela missão. Os melhores produtos e serviços são sempre oferecidos por missionários. Essas pessoas acordam pela manhã pensando na ideia e ainda estão pensando nela quando fecham os olhos para dormir à noite.

Além de criar a Amazon, você a reinventa periodicamente. Qual o segredo para administrar uma grande empresa de modo empreendedor?

Uma cultura pioneira que recompense a experimentação, ao mesmo tempo que aceite o fato de que vai haver fracassos; isso é fundamental em empresas grandes. E a orientação para o longo prazo é parte fundamental disso.

Alguns afirmam que a Amazon é boa para os clientes mas ruim para as pequenas empresas.

Estimulamos muito algumas pequenas empresas. Por exemplo, temos milhões de pequenos vendedores com acesso a nosso espaço exclusivo de varejo, que vendem junto conosco. A Kindle Direct Publishing é outra plataforma self-service muito útil para escritores que antes não conseguiam chegar à distribuição. A Amazon Web Services, nossa divisão de computação em nuvem, tem sido fantástica na capacitação de pequenas empresas, que a usam para baixar o custo dos bancos de dados e aumentar a agilidade.

Você acha que a tecnologia e a inovação estão avançando para dimensões cada vez maiores?

O ritmo de mudança e inovação não é igual em todos os segmentos e setores da economia, mas estamos vendo muita inovação em alguns setores, e espero que continue assim. O bom é que cada ideia nova gera mais duas. É o contrário da corrida do ouro de 1849: quanto mais gente foi buscar aquele ouro na Califórnia, mais depressa ele se esgotou. Ideias não são assim; ideias se multiplicam.

 

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