O poder de cura da natureza

Eis o que a ciência mais avançada diz sobre ervas e suplementos dietéticos populares
 

Um estudo publicado na revista European Journal of Clinical Nutrition verificou que muitas pessoas usam uma grande variedade de suplementos vitamínicos e minerais.

Mas esses remédios naturais funcionam de verdade? Pesquisas recentes confirmam que alguns são mesmo benéficos e outros podem ser até essenciais para quem sofre de determinadas doenças.

Não se esqueça de que a maior parte dos nutrientes deve vir de uma alimentação equilibrada, e que é sempre aconselhável consultar o médico antes de tomar suplementos, principalmente quando já se usam outros remédios.

Equinácea

O que é: Na época das vovós, essa erva florida era encontrada em muitos armários de remédios. Com a chegada dos antibióticos, a equinácea perdeu o favoritismo, mas esse remédio vegetal está voltando.

O que faz: A erva tem efeito protetor contra gripes e resfriados; em quem já adoeceu, parece limitar a duração e a gravidade dos sintomas. Outros estudos recentes indicam que a equinácea funciona melhor quando tomada durante toda a estação fria, em vez de só quando aparecem os primeiros sintomas de resfriado.

Quem deve tomar? Embora não funcione com todo mundo, a equinácea é segura o suficiente para ser experimentada pela maioria das pessoas. No entanto, a menos que receitada por um médico, quem sofre de transtornos autoimunes deve evitá-la, assim como quem tem alergia a flores da família da margarida.

Ácidos graxos ômega-3

O que são: São gorduras e óleos essenciais para a saúde cardiovascular e o desenvolvimento cerebral. Além das cápsulas de óleo de peixe e de algas, podemos obter os ômega-3 EPA (ácido eicosapentaenoico) e DHA (ácido docosahexaenoico) de peixes “gordurosos” de águas profundas e de ovos de galinhas que receberam alimentação rica em ômega-3. Em fontes vegetais, como os óleos de linhaça e canola, nozes e pistaches, há um tipo diferente de ômega-3: o ALA (ácido alfalinolênico), que o organismo converte em EPA e DHA.

O que fazem: Um grande estudo com idosos de boa saúde, publicado ano passado, verificou que quem tinha nível mais alto de ácidos graxos ômega-3 no sangue apresentou taxa mais baixa de mortes em 14 anos e 40% menos probabilidade de morrer de doenças coronarianas, porque os ácidos graxos ômega-3 baixam o nível de triglicérides e a pressão arterial, e têm propriedades anti-inflamatórias.

Outro estudo de 2013 constatou que mulheres que comeram peixes gordurosos tiveram menor incidência de artrite reumatoide; quanto mais comiam, menor a probabilidade de contrair a doença. E, em 2010, um estudo amplo mostrou que quem consumia alimentos mais ricos em EPA e DHA (principalmente DHA) apresentava nível mais baixo de colite ulcerativa.

Vários estudos indicam que pode haver um vínculo entre o nível de EPA e DHA e o funcionamento mental. Em 2010, um estudo com mulheres deprimidas internadas numa casa de repouso italiana mostrou melhora significativa dos sintomas depois de oito semanas tomando dose elevada de suplementos de ômega-3. No ano passado, dois estudos, um com jovens saudáveis, outro com idosos saudáveis, encontraram um vínculo entre doses altas de óleo de peixe durante seis meses e melhora da capacidade cognitiva. Como explicação possível desses efeitos, o Dr. Philip Scheltens, do Alzheimercentrum Vumc, em Amsterdã, Holanda, observa que o EPA e o DHA são componentes importantes da membrana celular dos neurônios do cérebro humano. “As membranas são essenciais para as ligações entre neurônios porque formam a base da chamada sinapse.”

Quem deve tomar? É bom incluir ácidos graxos ômega-3 na alimentação, principalmente quando há histórico familiar de doença cardíaca ou pressão alta. A melhor fonte é peixe fresco.

CoQ10

O que é: Essa substância semelhante a uma vitamina é encontrada no organismo humano. Mas, embora o corpo fabrique CoQ10, o estoque natural pode cair quando envelhecemos. Ela também está presente nas castanhas.

O que faz: O CoQ10 atua como antioxidante, protegendo contra radicais livres que prejudicam células e tecidos, e como anti-inflamatório, e é essencial para o funcionamento de órgãos e músculos. Num estudo clínico com 80 pessoas na fase inicial da doença de Parkinson, publicado em 2002, os pesquisadores verificaram que quem tomou CoQ10 sofreu menos declínio funcional do que quem tomou placebo. Quanto mais alta a dose, melhor o resultado.

Embora um tanto controvertido, um dos usos mais conhecidos do CoQ10 destina-se a prevenir efeitos colaterais em quem toma as populares estatinas para baixar o colesterol.

“Observamos que algumas pessoas que usam estatinas têm nível reduzido de CoQ10”, diz o Dr. Gianni Belcaro, dos Laboratórios Cardiovasculares Irvine3 da Universidade Chieti-Pescara, na Itália. Ele explica que o nível reduzido de CoQ10 natural pode expor os pacientes a consequências graves. “Em primeiro lugar, é possível sentir dor e fraqueza muscular. E a deficiência também pode afetar o músculo cardíaco.”

Quem deve tomar? O cardiologista e escritor Dr. Stephen Sinatra diz no seu blog que o CoQ10 é “literalmente uma ‘pílula mágica’ para tratar e prevenir cardiopatias”. Outros médicos tendem a ser mais cautelosos na recomendação do suplemento, mas o CoQ10 pode ser benéfico para quem sofre de vários problemas cardiovasculares e neurológicos. Por ser capaz de baixar a pressão arterial, o CoQ10 aumenta o efeito dos medicamentos usados para tratar a pressão alta.

Quercetina

O que é: A quercetina é um flavonoide, composto vegetal encontrado em legumes, verduras, frutas, chás e ervas. Os flavonoides servem para manter as células saudáveis.

O que faz: Em 2011, pesquisadores de Estocolmo vincularam a quercetina à redução do risco de câncer gástrico. No mesmo ano, um artigo de pesquisadores da Itália afirmou que suplementos de quercetina melhoraram o resultado de pacientes com transtornos cardiovasculares e outros problemas inflamatórios. Outros estudos ainda indicam que ele ajuda a aliviar sintomas de alergia, às vezes mais que os medicamentos que requerem prescrição médica.

Quem deve tomar? Quem faz uma alimentação rica em frutas e hortaliças provavelmente ingere toda a quercetina de que precisa. Para mitigar os efeitos de transtornos inflamatórios ou autoimunes, pode-se pensar, com a ajuda do médico, em suplementos. Doses altas demais podem provocar lesões renais. E tenha cuidado se toma anticoagulantes, porque a quercetina acentua seu efeito.

Curcumina

O que é: A curcumina é o ingrediente ativo da cúrcuma, tempero amplamente usado na culinária asiática.

O que faz: Anti-inflamatória e antioxidante, a curcumina também oferece proteção contra algumas das nossas piores doenças, com um mecanismo ainda não explicado. Num estudo tailandês com pré-diabéticos, publicado em 2012, metade dos participantes recebeu curcumina e a outra metade, placebo. Em nove meses, 16,4% do grupo do placebo desenvolveu diabetes tipo 2; nenhum dos que tomavam curcumina apresentou a doença. Parece que a curcumina também ajuda a aliviar os sintomas da osteoartrite, de acordo com um pequeno estudo de 2010. Além disso, um relatório de 2012 mostrou o leve benefício da curcumina no combate aos sintomas da artrite reumatoide.

Quem deve tomar? A cúrcuma é usada como tempero há séculos e é provável que a maioria possa tomar curcumina, mas tenha cuidado se apresenta problemas na vesícula biliar ou refluxo gastroesofágico.

*Veja a lista completa de remédios naturais na edição de maio da revista Seleções.

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